As atitudes em relação ao dinheiro são muito variadas. As reações podem ir da avareza ao desprezo completo pelo “vil metal”. Quando o individuo tem dinheiro, julga-se que trabalhou, herdou ou roubou. Alguns crêem que é abençoado ou amaldiçoado, que é uma dádiva ou uma desgraça. Se não tem dinheiro, é porque está pagando por sua preguiça ou seu pecado. Se tem dinheiro é por ser um escolhido de Deus, um bem-aventurado.
Há uma variedade de comportamentos para lidar com o dinheiro. Uns gastam demais, outros gastam de menos. Uns gastam com planejamento, outros gastam sem planejar. Alguns vivem dentro dos limites do que possuem, outros nem tomam conhecimento do saldo negativo. Alguns jamais entram no cheque especial, outros não param de comprar enquanto não estouram o cheque especial.
Saber lidar com o dinheiro é uma técnica que aprendemos em casa. Na hora de dar dinheiro para os filhos os pais demonstram sua atitude em relação ao dinheiro e ao filho. Pode-se dizer que demonstram seu amor ou seu ódio, sua aceitação ou sua raiva. Parece que os pais perdem o controle nessas interações. É como se eles não soubessem agir, pensar ou proceder. Alguns se recusam a dar dinheiro para os filhos, outros dão demais. Os pais sempre acham que dão muito, e os filhos sempre sentem que ganham menos do que precisam.
O fato é que os filhos dependem do dinheiro dos pais para suas despesas pessoais. O dinheiro é uma fonte de conflitos, discussões, brigas, injustiças e decepções. Parece que de todos os partilhamentos feitos no seio da intimidade familiar é o que mais provoca lutas e desencontros, é o que mais alimenta mágoas e ressentimentos, é o que mais cria confusões e desentendimentos, é o que mais desencadeia separações e divórcios. Por isso, se a criança aprende cedo na vida a manusear de forma realista o dinheiro, está fazendo um grande investimento para sua felicidade futura. É um aprendizado que vai crescendo junto com as necessidades reais da criança. Necessidades para as quais os pais devem estar atentos e respeitar. Mais do que isso, devem criar condições para que sejam satisfeitas.
Se o filho aprendeu desde cedo a manusear o dinheiro, na adolescência os problemas diminuem. Mas se não aprendeu, os problemas podem ser grandes. É comum ver pais desesperados com os gastos desmedidos de seus filhos. Filhos já na meia-idade, filhos na casa dos trinta. Filhos que nunca se tornam adultos confiáveis e responsáveis.

